quarta-feira, julho 20, 2011

Amar

Amar, como quem espera por ti
à porta de uma igreja de branco
Tu de vermelho
Convivas de cinzento
Amigos de roxo, tua mãe de esmeralda
E os primos de verde
Sorriso amarelo (claro)
E disposição Lilás....
Como quem sabe que a vida
nem sempre é um ananás.....


Amar o teu corpo, alabastro implacável
teus olhos, abismos inescrutáveis.
tuas mãos, volúveis, inescapáveis
Teu sorriso, breve interlúdio de maldade!
Criador de prazer e forte saudade.

Amar a tua sombra, tua passagem
Tua imperdível imagem
Fugindo no vento árido
Como uma simples miragem.




sexta-feira, julho 01, 2011

Crescer

O tempo das flores acabou
O vento nascente do Outono começou
Para ti, meu amor, inocência perdida
Vaidade esquecida, lágrima vertida

Não esquecida ficou a saudade
Sempre intensa, madura, constante
Dos teus olhos, meus olhos, minha vaidade
Ideia feita, sangue com sangue, breve instante

Voltarei, sempre serei teu amigo, teu pai
Voltarei porque te amo, porque sou teu.
Não temas, não tremas, não tenhas medo
Pois voltarei, serei sempre o teu pai.

quarta-feira, junho 15, 2011

Amanhã é longe demais

P'la janela mal fechada
Entra já a luz do dia
Morre a sombra desejada
Numa esperança fugidia fugi um dia

Foi uma noite sem sono
Entre saliva e suor
Com um travo de abandono
E gosto a outro sabor

Dizes-me até amanhã
que tem de ser, que te vais
porque o amanhã, sabes bem
é sempre longe demais

Acendo mais um cigarro
Invento mil ideais
Só que amanhã sei-o bem
É sempre longe demais

P'la janela mal fechada
Chega a hora do cansaço
Vai-se o tempo desfiando
em anéis de fumo baço

Radio Macau

quarta-feira, maio 18, 2011

Morte


Morte quebrada hoje de manhã
Náusea pesada no estômago
e medo, muito medo, de morrer.
Sem nunca mais te ver.

Tremores, frio, abismo
Do desastre sentimento pendente
E lágrimas, lágrimas, memórias falsas
Verdades difusas e inconstantes
Duplos critérios nauseantes

Morte ameaçada esta manhã
Agulha na pálpebra, medo de sofrer
Tu bem diferente, distante
Tua memória difusa a esmaecer
E eu, aqui, a morrer.






terça-feira, maio 17, 2011

Amar


bom amar,
bom sentir
as saudades que me passam
E repassam
pelo corpo, pela alma
De estares agora aqui
na minha cama nua
com a tua personalidade
intocável e única
e eu contigo, meu amor, minha quimera,
minha nuvem no ceu fugindo
no horizonte perdido
e fugaz
como um rio andando para o mar
e um sonho perdido de tanto amar

sábado, maio 14, 2011

Rosa Branca

Este Poema foi inspirado por algo que me aconteceu hoje. Fui jantar fora, aqui, nesta cidade que não conheço. Mais tarde, passei num bar, no qual entrei onde passei um bom bocado com boa musica ao vivo etc. Uma noite amena mas boa.
Ao sair vi uma mulher muito bonita. Com a qual , digamos que cruzei um olhar um pouco alem do normal, um pouco alem dos 3 segundos normais. Ao olhar um pouco mais entendi que era a actriz principal de uma festa de despedida de solteira.....


Este poema eu dedico a todos/as que não teem a certeza de que casar é o caminho.









Rosa branca, escada preta,
Pela vila andas solta
Um volta, um olhar, um ronda
Quando voltas, quando tornas
Quando vais ser quem tu és?

Escada torta vida negra
Quem tu és já nem tu sabes
Uma vida, uma morte
uma encosta sem raizes

Cada dia mais um dia
Cada olhar mais um desejo
Que te foge, te angustia
Te trás memórias...
D'outros dias...

E um homem, que não amas,
Traz-te frutos que não gostas
Num outro dia estás na cama
Ele vem, com outra manhas
E tu choras, dizes não,
onde está quem te respeita?

Noutra vida, noutra hora
Noutra passagem que demora
Procurando-te, não te encontrando
Passando as horas em agonia...

15 Maio 2011




sábado, abril 23, 2011

Chuva Purpura

Nunca pensei nisto antes: quando mais precisamos de alguém é quando mais eles estão distantes. Quando mais queremos distancia é quando mais encontramos interferência.
E quando mais queremos amor é quando mais encontramos angustia.
Mas quando mais esperamos frio, é quando mais encontramos calor.

sexta-feira, abril 22, 2011

Confusão

Situação continua,viva, inquietante
Confusão de ideias, ravinas várias
Aspirações de luz, caminho, soluções
e discussão, opiniões, permutações
Mas nada, cada porta uma pergunta
Cada pergunta dez respostas, dez
possibilidades.

Dez futuros, dez desejos, dez
abraços desfeitos
E infinitas possibilidades
Infinitos destinos, lugares inusitados
Mil cores de azul e várias felicidades
E uma, só uma intimidade.

22nd April 2011





segunda-feira, setembro 18, 2006

Feliz

"um dia depois, casaram. Ela comprou uma canoa laranja com que davam grandes passeios no mar azul. Diante das faces ardentes do sol e do mar.
Todos os dias decidiam separar-se e todos os dias se viciavam cada vêz mais um no outro.
Começou então a vêr claro: tinha esperado longamente pelo amor de uma mulher, mas e se não fosse feito para o amor?
Por fim, comovido com a sua mútua alegria, compreendeu finalmente que tinha nascido para se encontrar e que só assim poderia conceber as suas vidas de maneira feliz"

Um texto menos conhecido de Saul Itair Wolf.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Sem medo


Há um estreito
de melancolia
por entre as brumas
do teu olhar

Há um choro
mal contido
Nos teus lábios
de vinho
tremendo

E Há uma poesia
não dita
no chão pousada
Sem vento
e sem medo

segunda-feira, julho 24, 2006

A leveza da morte


Estou marcado e cansado
Homem velho inesperado
doente, enfermo, acusado
saio à noite encapuçado

Sombra velada cai
ameaça crua, inusitada
obituário seco e escrevinhado
Mão negra em ombro desmanchado

Da esperança quase nada
A fé em poço fundo
caida, ferida e magoada
E frio, muito frio
Dentes rangendo sem fio
Memórias vagas
d’outros dias melhores
E a leveza da morte chegando.

sexta-feira, julho 07, 2006

Revolta


Primeiro insurgiu-se o pobre.
Maltrapilho e vetusto,
cajado muleta na mão.

Depois apareceu a morte,
Cheia de sede e ambições tortas .
No ar um cheiro podre
a ratos e crianças mortas.

E os esgotos da cidade
Vomitam nas ruas
A violencia da noite em aviso.
No topo da torre norte
Ensígnias da morte
Dancam gestos macabros .

Na margem direita do rio
Seguros e calculistas
Os ricos nem um pio.
Na esquerda a revolta surgiu
(eu estava lá!)
Surge na água um archote
-Era o sinal!
Na noite a verdade
No ar a esperança:
-Luz e liberdade.

sexta-feira, junho 30, 2006

Agosto


Foi numa tarde de Agosto
Que Em frente ao tivoli
Ao virar uma esquina te vi.
Branca e esmaecida, de olhos cinzentos
Flôr murcha na palma da mão.

Esperavas alguem.
Olhos no relógio de pulso
(aquele que eu te dei)
E mão direita plantada na anca
Com ar insubordinado.
No semblante a sombra
Das horas da desilusão.

Segui em frente sem parar,
Sorriso nos lábios
Ramo de rosas na mão
Expressão alegre e bem vestida.
Certa magia no meu olhar.